Abro o Prime Vídeo da Amazon e vejo que eles adicionaram Taken ao catálogo (link no final).

Onde eu estava quando vi pela primeira vez? O ano era 2002 e comecei a ver na casa de uma amiga em São Paulo.

Já nem lembro se foi baixando torrent ou se foi na TV paga, mas isso não importa, o que importa é que rever o primeiro episódio foi uma experiência… Estranha!

Por algum motivo parecia que fazia pouco tempo que tinha visto a série, talvez por ter gostado muito e lembrar dela de vez em quando, mas reassistindo de fato minha mente se transportou para a época.

O que sinto não é nostalgia, mas uma certa perplexidade com as mudanças em tudo de lá para cá.

Muitos amigos seguiram outros caminhos, meu estilo de vida mudou muito, novos amigos surgiram e foram, reinventei minha carreira um punhado de vezes e tudo mais, entretanto acho que até aí deve ser normal até para quem vivia no século passado.

O que me deixa perplexo é que o Mundo parece outro, quase como um episódio de Além da Imaginação em que as coisas se transformam muito e rápido demais.

Os interesses das pessoas são outros, as baladas e papos de bar são intercalados e transformados pelo fluxo de notícias e estímulos das telinhas que carregamos nos bolsos.

Enquanto minha mente oscila entre 2002 e 2019 sinto o tempo meio esgarçado… Aliás não é o tempo, é o tecido da realidade que parece que está puído e vai se romper a qualquer momento.

Para ficar mais claro: em 2002 dava para administrar a enxurrada de informação, talvez porque estivesse tudo bem a gente não saber de tudo, mas hoje a gente é cobrado a ter opinião sobre todas as séries, filmes, firehosings políticos e nem sobra tempo para curtir profundamente nada disso.

Pois é… Mas será que é com todo mundo? Acho que não… E mesmo com quem também está nessa ciranda. Será que somos obrigados? Talvez fosse melhor admitirmos que o tempo de cada dia é limitado e não poderemos absorver nem uma fração de tudo que cada fluxo de informações e estímulos tem a oferecer.

Tenho pensado muito nisso, em concentrar mais no que me faz bem, nas ferramentas que posso usar para construir minhas vizinhanças e as que posso oferecer para o mundo para serem encontradas por quem precisa.

O mundo pode estar afogado em estímulos, a gente não precisa se afogar junto!

Mas, olha… Haja força de vontade e foco para selecionar adequadamente onde vamos depositar nossa atenção e nossa produção.

Por exemplo, acho que vou rever Taken. Tem cenas que adorei!

Imagem: Material promocional Amblin