Fui pego totalmente de surpresa por esse filme.
Peguei na locadora sem esperar muito, nem tinha feito questão de ver no cinema, mas descobri uma pequena jóia que merece morar aqui na prateleira de filmes úteis.
Quem acompanha este blog sabe que não estrago o prazer de um bom filme entregando a história ou qualquer coisa importante, então pode ler o resto sem medo.
O que não pode deixar de ser dito sobre esse filme não tem nada a ver com ele, mas com a nossa forma de ver o mundo.
Uma das qualidades do nosso tempo é nossa coragem de vê-lo sem alienação, de não ignorar o que fomos acumulando ao longo de alguns milênios de perplexidade assustada diante do mundo que nossa razão descortinava diante de nós. Só que essa qualidade tem um terrível efeito colateral: pessimismo crônico.
Não é fácil ver que há preconceito contra gordos, magros, sexuados, assexuados, pobres, ricos… A lista é enorme e todos nós a conhecemos, quase todos nós podemos inclusive nos incluir entre alguma categoria de preconceito.
Nossa arte não poupa esforços em nos confrontar com a necessidade premente de dissolvermos os equívocos dos “ismos”, mas não nos ajuda a encontrar energia e esperança lá do fosso do nosso pessimismo.
Hairspray é uma excessão!
O filme tinha tudo para ser alienado, para tratar superficialmente do que trata e fica claro logo nos primeiros 15 minutos: preconceito com a aparência, cor e classe social.
É surpreendente que uma história seja capaz de lidar com estes assuntos sem ser nem pesada e nem alienada nem mesmo por um minuto.
Aliás… Além de não ser alienado ainda nos sugere algumas posturas que podem nos ajudar a fazer a transição que nossa espécie, ao meu ver, está fazendo.
De todas as posturas interessantes a que mais me agradou foi… Foram duas.
Em primeiro lugar está a tranquilidade do amor próprio, não do orgulho, mas do amor próprio, aquele que nos torna aptos a ter bons amigos e estarmos satisfeitos conosco sem ter que diminuir os outros.
A segunda qualidade comum a quase todos os personagens é a maneira como colocam os sonhos típicos de uma sociedade do consumo e princípios em categorias totalmente diferentes. É como a diferença entre ver uma comédia na TV e salvar aquela amiga que liga em desespero. Ninguém normal pensa duas vezes e a maioria de nós certamente simplesmente se esquecerá da TV.
Para entender o parágrafo acima (ou até para discordar de mim) só vendo o filme, então vá logo na sua locadora ou clique na imagem lá em cima para comprá-lo.
Ah! Em tempo… A trilha sonora também é excelente!