A sala cheia apesar de haver poucas pessoas para enchê-la. Uma família com pai, quatro filhos, meia dúzia de irmãos e primos, duas crianças da mais nova geração correm para um lado e para o outro inventando grandes aventuras. E os namorados e namoradas da geração do meio, claro. Um quarto de uma centena de vozes, risadas, piadas, histórias, memórias… e o calor do solstício que trouxe o verão lá pelas dez horas da manhã.

Foi um ano frio com muitas perdas e dores para todos, o calor é bem vindo e inspira recomeços festejados com orações, bastante comida, troca de presentes e o abraço forte dos olhares cúmplices que vivem a mesma história ainda que cada um trilhe seus próprios caminhos…

Cada caminho é uma parte da grande história da família que começou no século passado, atravessou crises, pobreza, guerras, revoluções e todas essas coisas externas que não são (e não devem ser mesmo) lembradas quando se juntam e sabem apenas que são família.

Ali jogado num pufe uma namorada brinca com as crianças que um dia talvez sejam sobrinhos. Por um instante seu olhar se perde ao redor, espectadora ainda distante do quadro aconchegante das pessoas ao redor da grande mesa, entre elas encontra o sorriso familiar do namorado. Por um instante sonha com o dia que sorrirá do mesmo jeito, abraçada pelas vozes, as risadas, as memórias, as histórias da família.