Três cabeças tinha o guardião das portas do Tártaro, um cão de ira e poderes divinos em tempos pagãos! Dominados por muitos deuses. Antes do deus onipotente.
Todos aqueles deuses morreram, diminuídos em mitos, fantasias adolescentes. Mas os deuses sempre morrem, até mesmo os onipotentes, onipresentes e oniscientes! Pois outro dia passei ao lado de uma de suas casas, um templo erigido em sua honra; uma pequena igreja.
Já tarde da noite, os portões cerrados, mal iluminada pela luz da rua. De cada um dos lados se erguiam várias trepadeiras. Um pequeno oásis verde entre dois prédios altos. Um moderno Campos Elísios.
Entre a porta alta de madeira e o portão de ferro que a separa do mundo uma placa com o desenho de um Dobermann e os dizeres: cão solto!
Cérbero aparentemente não está desempregado!
Diante de tanto nonsense nem me surpreendeu ver, logo ali ao lado, encostado no muro da igrejinha, o velho amigo, o gato de botas, fazendo sua mesura, curvando suavemente o corpo enquanto tira seu chapéu e balança languidamente o rabo.
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