– Seu nome?

– Adolfo… – Talvez a jovem tenha percebido minha ironia, talvez ele, o Adolf, ande mesmo entre nós novamente.

Assim como tantos outros… Jack, Manson, Kroptec (apagado depois de milênios de civilizações impondo suas culturas sobre as derrotadas).

Espectros incorpóreos que, como brumas intangíveis, sequestram personagens históricos, se propagam insidiosamente entre nossas ideias nos momentos de desespero, euforia ou simplesmente quando nossas emoções são feridas sem escrúpulos pelos arautos do desespero e do terror que, paradoxalmente, se travestem de profetas, de iluminados… Não foi tão diferente com Adolf.

Agora ainda rimos perplexos quando líderes políticos repetem os versículos satânicos de Adolf e outros tantos antes e depois dele… Outros tantos hoje, amanhã e, esperemos que não mais depois de amanhã, pois esperar é a mínima esperança a que devemos ter direito.

É… Hoje sou Adolf.

Dizem que não pode, que é a falácia da desmoralização. Como Cristo…

Ninguém pode ser comparado a Hitler, deuses e demônios são únicos.

Pois é… Hoje sou Adolf. Podemos tentar cerrar nossos olhos como tantos cerraram na Alemanha no fim dos 1930. Como tantos cerram… Bem, cerram agora mesmo enquanto lemos e escrevemos. Inclusive você e eu!

Cercados pelas brumas raramente percebemos a areia em nossos próprios olhos, sejamos honestos com a pessoal que nos olha no espelho quando despertamos tontos ou talvez esperançosos.

Enquanto despertamos…

Escrito em 1 de novembro de 2016 num Starbucks…