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Dizem que a vida imita a arte brincado com o fato da arte sempre ter
tentado imitar a vida. Pelo menos é o senso comum, entretanto
será mesmo que imitação é a
aspiração da arte? Uma mímica tosca da vida?
Ao ver obras como O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Macha,
Adaptação, Viagem de Chihiro, Veludo Azul e Central do
Brasil não temos como não pensar que a arte é uma
lente sobre a vida; revelando suas nuances interpretando suas matizes.
Ao menos a arte que fica, que atravessa décadas, algumas vezes
séculos.
A sétima arte, é como chamamos o cinema, mas nem todo
texto é literário (insisto que Harry Potter é
história e não literatura) assim como nem todo cinema
é arte.
Contar uma história é arte, uma piada? O que nos
distrai é arte?
A era das bolsas de valores, das corporações
milionárias e da corrida por lucros criou uma indústria
que tenta agradar a todos, oferecer uma fuga para a realidade
supostamente ruim. Vamos ao cinema e não é nossa cara que
está lá! Pior do que isso, freqüentemente vemos a
reafirmação do preconceito e do belicismo que perpetuam
os nossos problemas diários pois este tipo de história
vende com mais facilidade.
Estão fazendo das nossas telas de cinema arenas de
gladiadores e praças de crucificação! Seis
geração atrás bruxas eram queimadas em fogueiras e
a cidade ia assistir cuspindo no demônio que era expurgado! Uma
demonstração de selvageria que agora repetimos ao ir ao
cinema ver o bandido ser explodido, desmembrado, incendiado ou devorado!
O problema de tudo isso é que a arte sempre foi precursora da
libertação quando nos fazia sonhar e ver a realidade por
ângulos incomuns oferecendo uma alternativa real, e não
uma fuga ilusória, para as tensões cotidianas! A dita
arte contemporânea tem se transformado em uma droga que gera
dependência! Uma oferta de fuga que acaba nos condenando ao ciclo
vicioso de uma vida sem sentido!
Nada contra o entretenimento! Depois de uma maratona nos estiramos
na areia para beber água de coco, mas é necessário
rever os momentos difíceis da corrida para não cometer os
mesmos erros duas vezes, para ver sentido em tanta corrida e para
encontrar em nosso cotidiano as aventuras que nenhum Indiana Jones
é capaz de enfrentar e ter ogulho de ser capaz de
superá-las!
A arte não deve imitar a vida, ela tem o dever de
interpretá-la, de nos ajudar a mergulhar nela! De imortalizar as
metáforas oníricas que decifram seus significados mais
profundos. E nem por isso precisa ser depressiva!
Temos "Fast Food, Fast Women",
"Chegadas e Partidas", "Senhor
dos Anéis", "O Fabulos Destino de Amélie
Poulain" e tantos outros filmes que cumprem bem o papel de arte e ainda
são para cima! só para
falar de alguns que não são nacionais.
Festival BR de Cinema Infantil
Embora o projeto não pareça tão bom quanto o festival
de Florianópolis que já comentei aqui,
todo projeto deste tipo merece atenção. Afinal é o primeiro
festival a viajar o país inteiro tentando desenvolver os hábitos
cinematográficos das nossas crianças!
São filmes da Holanda, Dinamarca e Brasil entre outros e a direção
é da Carla Camurati (que sempre me passou a impressão de que
trabalha com paixão), mas me parece que não houve o cuidado
de aproveitar as boas idéias do festival de Florianópolis.
Não vi nada sobre sessões gratuitas ou debates após
as sessões e a seleção de filmes parece dar uma preferência
a efeitos especiais. Quando a história é boa os efeitos se tornam
totalmente irrelevantes para as crianças e suas férteis imaginações!
Mas esta é uma opnião apressada de quem ainda não viu
os filmes e julgou apenas pelo site
oficial. E, mesmo com os possíveis problemas, certamente é uma melhor opção que os apressados filmes da Xuxa...
Sempre tem os que não gostam, sempre tem os que odeiam, a
única coisa que raramente acontece a uma obra de arte é
agradar a todos; em geral elas até incomodam mais do que
agradam. É uma característica dos tempos difícies,
quando não há tempo para perder com arte-entretenimento e
a arte-questionamento se torna emergencial.
Depois do louquíssimo Quero Ser John Malkovitch
o mesmo roteirista (Charlie Kaufman) faz um verdadeiro
exercício de roteiro brincando com a fantasia e a realidade
alucinadamente e acaba criando um dos melhores roteiros que já
vi! Ele joga com os clichês criando um filme, até onde
consigo me lembrar, totalmente fora dos padrões. Praticamente
não há transformações dos personagens,
não há bem um clímax e a história na
verdade é a do sacrifício do roteirista para escrever o
roteiro do próprio filme. Em suma, é como um tipo de
exercício de criatividade literária e de estilo.
Somente o roteiro já faria deste um grande filme, mas, pelo
menos ao meu ver, ele vai bem além ao construir personagens
integrais e não os costumeiros personagens cuidadosamente
encaixados em estereótipos. Outro ponto ímpar no filme
é a qualidade e o ritmo das transformações que
ocorrem. A maioria delas na verdade não ocorrem, estavam sempre
lá, mas não as víamos. Ao mergulhar no universo de
cada personagem vamos descobrindo novos matizes das suas
personalidades, das suas histórias.
Há, sim, uma transformação, no entanto é
tão suave quanto as que cada um de nós passa, geralmente,
duas ou três vezes durante toda a vida. E mesmo assim ela fica
para depois do final do filme, para ser continuada por nós
mesmos em nossos devaneios.
O que se pode esperar de um filme sobre um peixe palhaço
procurando seu filho perdido no oceano?
Nada!
Era o que eu esperava, mas estava totalmente errado!
Este filme certamente é uma das melhores pérolas dos
últimos tempos! Divertidíssimo, criativo, inteligente e
até moralmente inspirador.
Sem estragar o prazer das surpresas que o filme nos apresenta
só dá para falar que é uma história de
superação, amor, dedicação, coragem e
lealdade. Algo bem parecido com os preceitos de moral que andavam
exilados das telas até a estréia de Senhor dos
Anéis. Ok, não que não ouvesse qualquer moral nos
filmes, mas era a moral vazia do politicamente correto que
propõe uma moral piegas para um mundo perfeito que não
existe fora dos sonhos do paraíso perdido.
Para estragar alguns tipos de filme a equipe tem que ser mesmo muito
ruim! Ou tentar fazer o que não sabe fugindo da receita. Este
definitivamente é o caso dos filmes de ação
estadosunidenses. Não tem mistério! Basta um ou mais
mocinhos ou mocinhas bonitos e sarados, personalidades um tanto
rebeldes (as muito certinhas também servem), muitas
explosões, situações de perigo de onde se escapa
com proezas atléticas, uma trama com um mistério leve (de
preferência copiado de outro filme) e um final apoteótico.
Pronto! Está feito um sucesso de bilheterias, do tipo que adoro
assistir e não presta para mais nada além de produzir um
bocado de risadas.
O problema é que, de uns tempos para cá, alguém
disse para os roteiristas de Hollywood que eles sabem fazer roteiros!
Então eles fazem um esforço tremendo e acabam fazendo
tudo que citei acima, mas com uma trama que acaba atrapalhando a
ação sem chegar a compensar seja pela criatividade, seja
pelo conteúdo.
Tomb Raider é assim! Só me divertiu porque eu me
satisfaria com muito pouco, muito pouco mesmo!
A trama te dá vontade de ver um desfecho que nunca acontece e
se disfarça em um mal executado final aberto. As proezas
raramente são para fugir de uma situação de perigo
como na excelente seqüência da invasão da
mansão Croft no primeiro filme. Quase todas são
brincadeiras da mocinha neste segundo filme e isto tira quase todo o
atrativo das cenas.
Os absurdos são parte de um filme como este, ninguém
espera que se faça uma pesquisa para saber que tubarões
desaparecem por meses de regiões que sofrem terremotos; mas a
coerência ainda é necessária e não faz o
menor sentido a jovem, forte, hábil e invicta mocinha tenha
dificuldades ao lutar com um cientista bonachão!
Por último, mas sem esgotar as falhas do fiilme, eles
queimaram dois filmes em um! O Berço da Vida é assunto
para um filme Inteiro e a Caixa de Pandora para outro!
Deixe para ver na sessão da tarde enquanto joga War com os
amigos! |