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Este tema dá assunto para um livro... Desde que deixamos de ter que lutar por cada minuto de vida sobrevivendo ao rigor do tempo e feras predadoras quando vivíamos em cavernas e passamos a nos abrigar em burgos, cidades e metrópoles fomos nos acostumando a fugir da realidade criando jeitos cada vez mais sofisticados de nos distrair.
De uns tempos para cá acho que temos nos distraido tanto e de formas tão delirantemente irreais que perdemos o controle do nosso próprio desenvolvimento! Enquanto a maior parte da nossa civilização vive do mesmo jeito que se vivia na Idade Média a gente vai ver super-heróis salvar o mundo no muque... Mas não vou me estender mais neste assunto agora! No entanto, por conta disso, tenho gostado cada vez mais de filmes que, ainda que divertidos, não mascaram a realidade criando um véu de alienação entre nós e a realidade.
Perdi no cinema e só recentemente assisti em vídeo. Este não tem nada de divertido, é um drama pouco indicado para quem está no limiar das suas forças e precisa fugir da realidade para evitar um colapso nervoso! Não que o filme seja dos mais pesados. Não tem nada realmente explícito, não tem sangue e nem violência explícita. Por outro lado é uma das histórias mais realistas que vi no cinema. Na Cozinha do Inferno (Hell's Kitchen), um bairro de Nova Yorque, vemos as traquinagens de quatro garotos comuns em cidades. Melhores amigos, unidos como unha e carne. Depois acompanhamos seu trajeto depois que passam por uma instituição para menores infratores. O que há de forte no filme é que a realidade não é maquiada por finais felizes piegas e os personagens tem profundidade como nós, pessoas reais. Além disso o filme chega perto de não demonizar os vilões que, numa observação mais atenta, são tão vítimas das suas deformidades quanto os que sofrem em seus jogos. Fechando tudo isso há um roteiro bem escrito, inteligente e original. Apesar de um pouco complexo. Mas nem só de drama e realidade se faz a vida! Se há um momento para contrair os músculos tem que haver outro para relaxar! Gosto de filmes leves, até mesmo de alguns de heróis à moda antiga, mas prefiro o entretenimento leve de Jackie Chan ou desta água com açúcar, o Monge à prova de balas... É claro que tem alguns elementos maniqueístas e xenófobos tão característicos no cinema moderno, mas achei inofensivo e três coisas me agradaram bastante. Primeiro o mocinho não só não se deixa encher de ódio vingativo contra o vilão como na verdade espera até o fim que ele se liberte da sua visão obscura; Segundo que a certa altura uma das personagens vê as denúncias de violação contra os direitos humanos (fotos de atrocidades) e pergunta "porque não damos ênfase ao certo em vez de destacar o erro?". Realmente é muito fácil berrar o que há de errado, mas isso não traz o certo... Em terceiro lugar gostei do final, mas isso não posso explicar sem tirar um pedacinho da graça do filme! |