Deveria ser um filme, mas é um livro de Arthur C. Clarke,
A Cidade
e as Estrelas, que li faz uns 15 anos. Nos momentos iniciais um homem, anseia
conhecer a verdade e ser realmente livre, insiste em violar os tabus daquela
sociedade.
Um milhão de anos antes, ou mais, nossa história não
é tão diferente: vivemos agrilhoados a limites e, normalmente,
fugimos até mesmo da consciência de que eles existem. O cinema
pode ter um papel positivo ou negativo nesta história.
Não! Este não é o início de uma apologia ao cinema
verdade, afinal a dureza pessimista dos modernos documentários, em
geral, nos enche de tanta desesperança que nos aprisiona tanto quanto
o cinema fantasia, mas há exceções: filmes que mostram
verdade ou fantasia, mas nos fazem encarar a realidade, refletir sobre nosso
tempo e nosso mundo nos inspirando a nos aprimorar um bocadinho.
Nada contra o cinema fuga, veja bem! Fantasiar e se colocar no lugar de um
herói ou nadar no mar de rosas do par romântico é um descanso
que todos merecem! O problema é quando confundimos a fuga com a realidade
e vivemos um falso mundo de sonhos, e salve A Rosa Púrpura do Cairo!
;-)
No último mês assisti alguns bons filmes fuga e outros realidade.
Tem o Chegadas e partidas (The Shipping News) de uma sensibilidade surpreendente e com atuações
imperdíveis de Kevin Spacey, Cate Blanchett e Julianne Moore. A importância
da nossa história, a influência do que foram nossos ancestrais
sempre é subestimada na sociedade ocidental. Ah! mas nesse filme vemos
a tragetória surpreendente de um homem encontrando suas raízes.
Já em Latitude
Zero a realidade vem de carona com os quatro cavalheiros do apocalipse.
Não há fantasia para amenizar a dureza da terra esquecida pela
civilização. Um homem e uma mulher no meio do sertão.
Endurecidos e sem esperança, mas... Nenhum filme que eu tenha visto
nos últimos anos traz uma mensagem tão forte sobre os nossos
grilhões. O filme dói, mas vale cada arranhão!
Fast Food Fast Women. Produção
independente nova yorquina que me chamou atenção por mostrar
gente que poderíamos facilmente encontrar no bar da esquina. São
personagens que, como nós, são cativantes e bons, mas não
percebem e fingem ser o que acham que os outros esperam, mas acabam parecendo
mesmo outra coisa quando tudo que os outros queriam é o que eles realmente
são! ;-)
Hilariante e o melhor estilo de cinema fuga, se bem que a velha mensagem
família da Disney está lá. É Lilo
& Stitch ...