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Cinema fuga, cinema realidade PDF Print E-mail
Written by Roney Belhassof   
Thursday, 26 June 2003
Uma cidade com um milhão de anos e os seus cidadãos livres para o que desejarem fazer, exceto sair da cidade, mas isso não é um problema pois seu medo dos mitos sobre invasores e da liberdade plena constitui grades mais firmes que o mais resistente dos metais.
Deveria ser um filme, mas é um livro de Arthur C. Clarke, A Cidade e as Estrelas, que li faz uns 15 anos. Nos momentos iniciais um homem, anseia conhecer a verdade e ser realmente livre, insiste em violar os tabus daquela sociedade.

Um milhão de anos antes, ou mais, nossa história não é tão diferente: vivemos agrilhoados a limites e, normalmente, fugimos até mesmo da consciência de que eles existem. O cinema pode ter um papel positivo ou negativo nesta história.

Não! Este não é o início de uma apologia ao cinema verdade, afinal a dureza pessimista dos modernos documentários, em geral, nos enche de tanta desesperança que nos aprisiona tanto quanto o cinema fantasia, mas há exceções: filmes que mostram verdade ou fantasia, mas nos fazem encarar a realidade, refletir sobre nosso tempo e nosso mundo nos inspirando a nos aprimorar um bocadinho.

Nada contra o cinema fuga, veja bem! Fantasiar e se colocar no lugar de um herói ou nadar no mar de rosas do par romântico é um descanso que todos merecem! O problema é quando confundimos a fuga com a realidade e vivemos um falso mundo de sonhos, e salve A Rosa Púrpura do Cairo! ;-)

No último mês assisti alguns bons filmes fuga e outros realidade.

Tem o Chegadas e partidas (The Shipping News) de uma sensibilidade surpreendente e com atuações imperdíveis de Kevin Spacey, Cate Blanchett e Julianne Moore. A importância da nossa história, a influência do que foram nossos ancestrais sempre é subestimada na sociedade ocidental. Ah! mas nesse filme vemos a tragetória surpreendente de um homem encontrando suas raízes.

Já em Latitude Zero a realidade vem de carona com os quatro cavalheiros do apocalipse. Não há fantasia para amenizar a dureza da terra esquecida pela civilização. Um homem e uma mulher no meio do sertão. Endurecidos e sem esperança, mas... Nenhum filme que eu tenha visto nos últimos anos traz uma mensagem tão forte sobre os nossos grilhões. O filme dói, mas vale cada arranhão!

Fast Food Fast Women. Produção independente nova yorquina que me chamou atenção por mostrar gente que poderíamos facilmente encontrar no bar da esquina. São personagens que, como nós, são cativantes e bons, mas não percebem e fingem ser o que acham que os outros esperam, mas acabam parecendo mesmo outra coisa quando tudo que os outros queriam é o que eles realmente são! ;-)

Hilariante e o melhor estilo de cinema fuga, se bem que a velha mensagem família da Disney está lá. É Lilo & Stitch ...


Last Updated ( Thursday, 31 March 2005 )
 
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