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A dança infelizmente não é uma das expressões
artísticas mais populares no Brasil. É uma pena pois temos excelentes
companhias e bailarinos.
O nosso distanciamento da dança é tão grande que a maioria
das pessoas nnao tem idéia do que seja um espetáculo de dança,
pensam no balé clássico ou em jazz.
A dança contemporânea é capaz de apresentar tanto espetáculos
de rara beleza - como +simples da Ana Vitória - quanto experiências
visualmente surpreendentes como é o trabalho da Cia Lia Rodrigues.
A propósito é a Lia Rodrigues que organiza este evento, o Panorama
RioArte de Dança atraindo não só algumas das melhores
companhias brasileiras como também várias extrangeiras.
Nesta página você vai encontrar os meus comentários sobre
os espetáculos que eu puder assistir, são os comentários
de um admirador da dança contemporânea e não de um crítico
ou profissional da área, mas exatamente por isso espero que esta seja
uma boa fonte de informação para quem quer descobrir mais um
prazer entre a infinidade de estímulos que a nossa civilização
tem para oferecer.
Cia Ana Vitória (+simples)
São três bailarinas sobre o palco coberto de grama sintética.
A coreografia não é complexa, mas é cativante desde o
primeiro passo. Como todo poema é capaz de invocar diversos significados,
eu vi o contraste entre o que nos esforçamos para demonstrar e o que
realmente sentimos internamente. O importante é que esta criação
da Ana Vitória é como algumas sinfonias de Beethoven e consegue
nos fazer mergulhar na singela beleza dos seus movimentos como a chuva fina
que se precipita lentamente sobre a relva na primavera.
No site da companhia há
um trecho de vídeo, algumas fotos e o release. Não posso colocar
o link direto pois o site é feito em flash, mas felizmente a navegação
é simples, basta entrar em espetáculos e aparece uma barra com
os títulos de cada um.
Quando: /11/04 - sexta - 20h
Onde: Carlos Gomes - Praa Tiradentes
Membros - Elemento Bruto e Raio X
Tive a oportunidade de assití-los no festival Dança
em Trânsito deste ano e fiquei impressionado.
São coreografias com forte influência da dança de rua
que retratam e criticam a violência e dureza das ruas.
Além de ser um espetáculo de impressionante rigor físico
é um convite à realidade.
Quando: 04/11/04 - quinta - 21h
Onde: Espaço Sérgio Porto - Humaitá
Paula Águas - Não Alimente o Animal
Não conheço este trabalho dela, mas esta bailarina talvez seja
uma das mais critivas que temos atualmente. Algumas pessoas conhecem o espetáculo
Qual é a Música onde a platéia vai trocando os CDs ao
seu bel prazer e ela cria coreografias excelentes na hora.
Quando: /11/04 - sexta - 20h
Onde: Carlos Gomes - Praa Tiradentes
Impure - as if your death was your longest sneeze ever
A companhia vem da Noruega e o coreógrafo (e também bailarino)
Hooman Sharifi é de origem iraniana.
Posso falar a vontade do espetáculo pois infelizmente hoje (3/11/04)
foi o último dia deles no Brasil, por sorte pude assisti-los.
Quando nos emocionamos algumas vezes não temos certeza se a obra é
boa ou se nós é que somos muito sensíveis. Seja como
for este espetáculo me fez chorar! Uma vez fiquei todo arrepiado com
uma coreografia de Renata Epifânio, mas nunca havia chorado.
O que acontece com esta companhia é que ela tem um forte apelo político
e, mais ainda, inquisitor.
O espetáculo começa com os bailarinos distribuindio uma revista
com vários textos deles e de outros artistas sobre o que assistiremos,
em seguida o coreógrafo Hooman Sharifi dá uma breve explicação
de como se desenvolverá a performance. Sua voz é tranquila,
os bailarinos são simpáticos e cativantes. Então eles
pegam longos cacetetes e passam a espancar uma pilha de folhas de zinco que
estão no chão. Fazem isso por longos minutos. Por algum motivo
não fui o único a segurar as lágrimas.
O resto da performance nos conduz do papel de espectador perplexo da nossa
realidade a participante ativo dela.
Preciso desenvolver mais esta crítica, mas se você for passar
por Oslo estes dias pense em conferir o trabalho desta Cia.
Links
Artigo
no JB
Programação
no Circuito Cultural Rio
Programação
no JB
Programação
no Instituto Camões |