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No ano passado comentei aqui pela primeira vez
sobre este evento que toma algumas ruas no Rio de Janeiro todo ano e faz parte
de um projeto maior chamado Cidades
que Dançam (sites: CQD e Marato).
São companhias de dança contemporânea vindas de todas
as partes do Brasil e até de outros países. No ano passado houve
participações da Espanha e França. Este ano já soube que virá uma companhia de Israel, mas certamente outros países
serão representados.
Só tardiamente descobri o prazer de assistir a um bom espetáculo
de dança contemporânea, apenas uns três anos atrás.
Ao contrário da formalidade do balet clássico as expressões
do balet contemporâneo atingem diretamente o nosso senso estético
e nosso inconsciente. Hora nos surpreende com a beleza dos corpos e seus movimentos,
hora com a imprevisibilidade das formas que desenham diante de nós
e outras vezes pelo significado que conseguimos ver em uma série de
coreografias sem palavras.
Vivemos em um mundo encantado demais pelo raciocínio lógico
e cartesiano. Acabamos deixando nossa mente subjetiva e intuitiva no ostracismo,
mas foi a capacidade de intuir que criou nossas maiores conquistas, desde
Einstein e Newton até Da Vinci e Sartre.
A dança contemporânea não é a única, mas
é uma das mais suaves formas de escapar da atrofia da nossa ânima...
É uma pena que um algo tão interessante tenha tão pouco
espaço na mídia, mas no que estiver no meu alcance usarei este
espaço para divulgar a programação deste evento com datas,
horas, locais de apresentação e uma pequena descrição
do trabalho das companhias que se apresentarão.
Por algum motivo o site deles não aparece nas pesquisas no Google,
mas você pode chegar lá clicando aqui.
Programação
Esta é a programação do festival. As companhias marcadas
com "*" são as que já conheço e gosto ou que
me indicaram.
Dia 24 "Morro da Urca" 20:00
Este é o dia de abertura e haverá um coquetel para convidadeso,
mas o Morro da Urca estará com preço promocional de R$15,00
para quem quiser assitir as apresentações. Todos os outros dias
são totalmente gratuitos.
1- Via pública Dança Contemporânea
"Três desejos tão desesperados" – 15 min.
2- Carlota Portela *
"Espaço de Luz" – 12 min
3- Renato Vieira
"Cariocas" e "Memórias do corpo"
4- Juschka Weigel (Alemanha)*
"Life is to short to dance with an ugly man" – 10 min
5- Grupo
Tápias *
"Rede" – coreógrafa: Giselle Tápias – 9 min.
6- Laso Cia de Dança
"Ruas" - Carlos Laerte - 15min
7- Ana Vitória Dança
Contemporânea *
"Metamorfose"
8- Resultado do workshop da Juschka
9- Andrea Jabor
"Temáticas de i-eu e Desaparecida do Norte" – 15 min
Dia 25 "Cinelândia" 16:00 (no mesmo local do ano passado
)
1- Kombina Dance Company (Israel)*
"CLICK" – 20 min
2- Veronica Dias
"Avoou" – 12 min
3- Dani
Lima *
"Cabeças trocadas"
4- Esther Weitzman*
"Por minha parte" - 15min
5- Laso Cia de Dança
"Ruas" – coreografia: Carlos Laerte – 15 min
6- Membros
Cia de Dança - Macaé - RJ
"Raios X" – 15 min
7- Via pública Dança Contemporânea
"Três desejos tão desesperados" – 15 min
8- Sylvio
Dufrayer*
"Escravo do Seu" – 8 min
9- Juschka Weigel (alemanha)*
"Life is to short to dance with an ugly man" – 10 min
10- Andrea Maciel
"Noisescape" – coreógrafa: Andrea Maciel – 15
min
Dia 26 "Irajá" 10:00 (praça em frente a Igreja de
Irajá)
1- Spoudaios *
"Nocaute!!" – coreógrafo: Fernando Azevedo – 4 min
2- Atma Cia de
Dança*
"Tempo de Espera" – coreógrafa: Ana Andréa – 15 min
3- Rubens
Barbot
"Tempo de e para espera (Aceite o carinho que tenho por você)" – 5 min
4- Micheline Torres
"Lugar de Dança em Jogo" – 20 min
5- Experimenta
Núcleo de Dança *
"Jogos" – coreógrafa: Flávia Tápias – 5 min
6- Aluísio Flôres
"Aprendizado do só" – coreógrafo: Aluisio Flôres
– 12 min
7- Juschka Weigel (alemanha)
"Life is to short to dance with an ugly man" – 10 min
Dia 26 "Penha" 11:30 (próximo a igreja da Penha)
1- Claudia Muller
"Dança Contemporânea em Domicílio"
2- Andrea Jabor
"Temáticas de i-eu e Desaparecida do Norte" – 15 min
3- Helena Vieira Cia de Dança
"Bailarino, ser ou não ser, ter ou não ter?" – 20 min
4- Carlota Portela *
"Arena Niilista" – coreógrafo: Marcellus Ferreira – 10 min
5- Dois pra Dança *
"Música para Dois" – 20 min
6- Mebros Cia de Dança
"Meio-fio" – 15 min
7- Esther Weitzman
"Por minha parte" – 15 min
Dia 27 "Lagoa" 11:00 (parque dos patins)
1- Prisma
2- Trupe do passo*
3- Dani Lima
4- Renato Vieira
5- Claudia Muller ou grupo Tápias ( a confirmar)*
6- Juschka*
7- Claudia Petrina
8- Doutor, Minha filha não pára de dançar!*
9- Workshop Juschka
10- Regina miranda *
11- Ana Vitória Dança Contemporânea*
12- Kombina Dance Company*
Dia 27 " Teatro Odisséia" (Rua Mem de Sá 66 - Lapa)
19:00
Festa de Encerramento do Dança em trânsito. Ainda não
sei se vai ter performances lá também; acredito que sim, mas
é só uma festa para encerrar o evento e, em um telão,
passarão as performances do Dança em Trânsito do ano passado.
É para convidados, mas quem quiser ir pode pagar R$5,00.
Companhias
Aqui vou comentar um pouco do que der para apurar das companhias que se apresentarão.
Se você é de uma das companhias acima ou tem informações
sobre elas por favor entre em contato comigo por email .
Minha intenção é colocar uns três parágrafos
sobre cada cia aqui.
"Estarei dançando um solo com música de um africano, Doudou
Ndiaye Rose, é um solo com forte influência no gestual africano,
minha referência cultural primeira. Mas será só uma pequena
mostra de 4 min 33 seg."
Tenho uma forte ligação com as mitologias mais primitivas e
gostei dos movimentos orgânicos do trabalho apresentado pela Ana Vitória.
Sempre que puder vou acompanhar seu trabalho.
O grupo apresentará 3 trabalhos onde todos, apesar de concepções
distintas, tem como unidade singular o viés Hip Hop e da dança
contemporânea.
São eles "Meio-fio", "Elemento Bruto" (trabalhos
que estarão no Dies
de Danza em Barcelona no mês de julho) e "Raio X". Todos
são de autoria de Taís Vieira e direção de Paulo
Azevedo
Eles apresentaram um espetáculo diferente em cada lugar, infelizmente
só os vi na Cinelândia onde o som insistia em falhar, mas este
foi certamente um dos três trabalhos mais fortes que assisti este anos!
Mesmo sem o som que era essencial.
Acredito que vivemos tempos em que a arte precisa berrar alto e jogar luz
sobre o nosso tempo. No trabalho deles vi a fotografia preto e branco das
ruas escuras e dos apartamentos caÑticos de uma geração que
mergulha perigosamente na violência e nas drogas. Não sogeriram
soluções, mas passaram seu recado com mestria! Isso sem falar
no impressionante vigor físico e da feliz união da dança
contemporânea com a de rua.
Carlota Portela
Só pude assistí-los no morro da Urca onde dançaram no
heliporto.
Entre as chamas, explorando os espaços criados entre as sombras e
o alcance da luz tremulante os dançarinos e dançarinas apresentaram
um belo espetáculo que funcionou muito bem ao ar livre.
Foi uma destascoreografias hipnóticas que, ainda que nos conte histórias
sobre vida, morte e efemeridade, acaba valendo mais ainda pelos devaneios
que inspira.
Via Pública
Há espetáculos difíceis de descrever... Este, apresentado
por dois dançarinos (muito bons), certamente cumpre a nobre tarefa
de convidar à autocrítica; além de ser engraçado!
"Você está confortável? Quer trocar de lugar?"
"O corpo mais perfeito"; "A novela mais vendida"; "A
família doriana mais feliz".
Posso não ter me encantado com a coreografia, mas não posso
deixar de me curvar à iniciativa de trazer perguntas que nos levam
a refletir sobre o culto à imagem.
Renato Vieira cia de dança
A música, a qualidade técnica e a presença de um baterista
ao vivo são bem legais, mas havia uma atmosfera anos 70 na coreografia
que, por algum motivo, me desagradou. Gostaria de saber mais sobre o trabalho
deles, mas não achei o site. No fundo minha implicância pode
ser mero gosto pessoal, afinal se a intenção era evocar o Rio
dos anos 70 eles foram perfeitos já que percebi isso claramente sem
ler nada sobre o espetáculo.
Laso Cia de dança
Este foi um dos que mais me agradou! repleto do ritmo brasileiro, do gingado
das ruas caricas e ao som de uma banda típica da Lapa o espetáculo
é puro prazer mesmo para quem nunca viu dança contemporânea!
Juschka Weigel
Bem, ela apresentou vários trabalhos, um em cada dia se entendi bem,
todos excelentes. Pena para quem perdeu pois ela é da Alemanha e não
deve pintar aqui tão cedo.
Os três trabalhos dela que assisti eram muito bons, o da Cinelândia
foi o que mais me agradou.
Parece haver na sua técnica uma disputa entre o orgânico que
luta para sobreviver e se libertar e o mecanicismo da cultura urbana... Mas
sou um leigo que admira arte, posso estar errado e isto pode ser uma interpretação
pessoal. De qualquer forma é um trabalho como poucos que nos deixa
hipnotizados entre a dureza e a delicadeza.
Além do seu trabalho pessoal foi apresentado o resultado de um workshop
feito com vários dançarinos contemporâneos. Estranho,
mas com a mesma qualidade hipnótica. ;-)
Andréa Jabor Arquitetura do Movimento
Algumas das companhias este ano optaram por fazer apresentações
para a classe de dança contemporânea - pelo menos é o
que me pareceu - e apresentou trabalhos um pouco conceituais demais para a
platéia leiga. Assim foi, ao meu ver, o trabalho desta cia. no morro
da Urca.
Mesmo sendo leigo, gostei... Parecia brincar com a perspectiva do tempo e
sua passagem e repetição. Me lembrou também de algumas
teorias da física quântica envolvendo universos paralelos, mas
isso já é por conta do meu raciocínio naturalmente alucinado!
;-)
Kombina Dance Co.
Certamente um dos espetáculos mais bonitos do Dança em Trânsito.
Um estudo sobre o amor, a paixão, o desejo e ciúmes. Eles abriram
uma esfera de primavera onde se apresentaram!
Quase tudo era perfeito no que eles apresentaram, para um mero admirador
como eu era tudo perfeito mesmo! Os dançarinos eram lindos (dois homens
e uma moça cujo sorriso fazia pensar em Ishtar), a coreografia leve
e muito bem executada.
Da próxima vez que for a Israel veja se eles estão se apresentando
e não perca.
Verônica Diaz
Foi na verdade uma performance muito engraçada, mas eu preferiria
algo mais dança e menos performático.
Pelo menos ela certamente conquistou o público, principalmente o infantil,
com suas gaivotas e uma história que poderia ser a de muitos brasileiros.
Ademais sempre é emocionante ver crianças de rua se encantando
com arte.
Cia. de dança Dani Lima
A cia. é muito boa, mas também optou por uma coreografia bem
fechada para o meio de dança o que acabou não conquistando tão
bem o público da Cinelândia, que caracteristicamente são
pessoas que pensam que dança contemporânea é aquilo que
as dançarinas do Faustão fazem.
A coreografia era ao redor de um quadrado de metal, dois homens (muito bons
ao meu ver) e a música se intercalava com o som de ondas.
Esther Weitzman Cia de dança
Eles apresentaram um dos melhores trabalhos do ano passado, quase me arrancou
lágrimas.
Este ano não consegui uma boa posição para assistí-los
no meio da multidão que cercou o quadrado de linóleo laranja
e não posso comentar muito. Pelo menos acho que são do Rio e
devem se apresentar no circuito Carioca de Dança que deve ocorrer em
breve, no mês que vem.
Sylvio Dufrayer cia de dança
Existe na cegueira uma visão que escapa aà maioria e nos fascina.
Pelos sons e uma percepção misteriosa das coisas os cegos são
capazes de ver o que nem é visível.
Foi um trabalho bonito e instigante, só não gostei muito do
uso de estalinhose bombinhas que desviavam minha atenção.
AMCD - Andrea Maciel Cia de Dança
Esta foi outra das apresentações que, pelo menos para mim,
foram conceituais demais. No entanto gostei bastante do sentimento transmitido
nos movimentos dos bailarinos.
Grupo Prisma
Três dançarinos e uma tela faziam a dança entre as cores
e o movimento...
Gostei muito deste trabalho! Tinha muito espírito e isso é o que mais me atrai na arte.
Eles se apresentaram na Lagoa, lugar perfeito para o trabalho deles.
Como toda boa arte acho que cada um enxerga uma história na coreografia...
A inspiração lutando para vencer a distância entre a imagem
e a habilidade do artiste em expressá-la seria a minha.
Seja como for vale a pena acompanhar o trabalho que deve agradar tanto a
leigos quanto a quem já curte dança contemporânea.
Dr. minha filha não para de dançar
Este trabalho não é propriamente uma cia. de dança,
mas uma peça que une esquetes e dança.
Criada por Miguel Thiré, Renata Epifânio, Flávia Tápias
e Matheus Solano há momentos em que une muito bem as duas linguagens
como num tipo de disputa de interpretação de coreografia que
só vendo.
O que foi apresentado é o fragmento de um espetáculo que pode
ser visto no Espaço Café Cultural toda quarta-feira 21:30h.
É
uma comédia e comédia é boa quando faz rir - ao contrário do drama que
pode fazer chorar sem ser bom - e isso eles fazem bem. Eu só retiraria
algumas piadas mais batidas já que eles mostram que tem criatividade
para ir muito mais além. Bom, vi uma das primeiras apresentações e este
tipo de espetáculo está sempre se reinventando, como O Surto que fica
cada vez melhor.
Cláudia Petrina cia de intérpretes
A entrada dela me impressionou, mas não consegui acompanhar bem o
restante de trabalho que, ainda assim, me pareceu esquisito a menos que o
som tenha apresentado problemas, algo que aconteceu com bastante freqüência
este ano.
Cia Regina Miranda e atores bailarinos
Duas dançarinas que começam a desfiar o rosário de contas
que todos nós temos que pagar ao curso de uma vida. Foi mais uma apresentação
que era mais performance do que dança, mas agradou! Era engraçado
e bem executado com mais dança do que Verônica Diaz e menos do
que "Dr. minha filha..."
Edição 2005
É uma pena que a dança contemporânea seja tão mal produzida no Rio
de Janeiro. Apesar de tentar me manter sempre atento e ser uma das
principais fontes de informação sobre dança na Rede este ano só fiquei
sabendo do evento no último dia e não pude conferí-lo.
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