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V de Vingança PDF Print E-mail
Written by Roney Belhassof   
Sunday, 03 September 2006

O ódio cultivado e maturado é o combustível das vinganças. Uma fórmula que quase sempre termina em desgraça para todos, mas não em V de Vendetta...

 

Na década de 80 Alan Moore somaria sua voz a de George Orwell e outros que alertavam que a vitória sobre os países fascistas na Segunda Guerra Mundial não era a vitória sobre o fascismo.

Demônios.

Talvez aqueles das escrituras sagradas não existam, mas certamente criamos nossos demônios sob várias formas.

Podem ser verdugos, mas frequentemente vêm para nos testar. Assim talvez seja o fascismo: Uma ideologia que assombra nossos esforços para criar uma sociedade mais igualitária, democrática e justa. Sem ele corremos o risco de nos acomodar, na verdade sempre que nos acomodamos ele ressurge.

V de Vendetta (a revista da década de 80) antes de mais nada é um alerta para o fascismo que poderia ressurgir na Europa e, sobe certos aspectos, o que vemos hoje no embate entre o neoliberalismo e certos movimentos populares é um embate entre a democracia e o fascismo. 

Na história de Alan Moore o cenário é bem mais sombrio, é um mundo onde o fascismo foi crescendo sem que percebebêssemos.

É neste meio que surge o protagonista, V.

Apenas mais uma entre tantas vítimas do desrespeito fascista às minorias.

Submetido a horrores, torturas e experiências V tem todos os motivos para odiar e alimentar seu ódio. Por muitos anos é o que ele faz enquanto prepara sua vendeta, sua vingança.

É aqui que o personagem e a história se tornam interessantes.

V é um tipo de metáfora para a população esmagada, vilipendiada e revoltada com o sistema.  Qualquer semelhança com o Brasil hoje é mais quantitativa do que qualitativa.

Assim como nós V sente que foi usado e deseja vingança. Mergulha em seu ódio, mas algo acontece e, de alguma forma, ele o sublima e parece transmutar o ódio em uma busca pela liberdade. De certa forma V é Hamlet.

Last Updated ( Wednesday, 11 October 2006 )
 
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