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Relações da Laso PDF Print E-mail
Written by Roney Belhassof   
Sunday, 13 August 2006

O espetáculo Relações da Cia Laso de Dança contemporânea traça o mapa brasileiro do serrado às grandes metrópoles desenhando as relações que nos unem ou nos afastam.

O espetáculo começa com uma mulher sozinha cercada de sombras. Seus movimentos são rápidos, intensos, rudes e áridos. É uma imagem que nos remete ao complicado relacionamento que temos com nós mesmos e inevitavelmente nos faz pensar no cerrado brasileiro.

Está dado o tom geral deste espetáculo da Laso: as diversas relações humanas no Brasil ao lado da sua diversidade de climas e paisagens urbanas sob um olhar que está voltado para dentro e não para fora.

A arte não precisa ter significado, tão pouco exige-se que se volte para a essência do nosso tempo ou dos nossos sentimento. A arte pode simplesmente ser bela. Entretanto vivemos uma destas encruzilhadas históricas que nos acenam com mudanças intensas diante das quais devemos  decidir entre ser um corpo inerte e passivo (e sofrer com isso) ou um ator participante do nosso tempo (e sofrer também, mas com a segurança de quem assume algum controle).

Foi um prazer descobrir que a Laso, companhia que vi pela primeira vez em um fragmento em 2004, assume o papel artístico completo mergulhando em busca dos movimentos internos que regem as relações modernas aqui no Brasil.

Mesmo quando o cenário (simples, mas perfeitamente expressivo) nos leva junto com a trilha sonora (também excelente) para a frieza e distância das ruas urbanas ou dos presídios há uma qualidade e profundidade de sentimento capaz de desenvolver uma empatia entre o espectador e os tipos retratados pela coreografia. Em épocas intolerantes isso por si já é um grande serviço.

Obras de arte são símbolos e não sinais. Limitá-las tentando interpretá-las é um erro. Diante de um espetáculo como este cada par de olhos enxergará os reflexos das suas próprias relações pessoais, interpessoais, transpessoais ou até  encontrará metáforas para outros tipos de relações.

Entretanto lá no palco estavam a coragem do salto no escuro em busca do futuro, o amor, o medo, amizade e indiferença. Carlos Laerte parace não ter esquecido nenhuma região e nenhuma relação. É um espetáculo para ser digerido com calma e várias vezes.

Terminar este texto sem falar dos bailarinos seria uma injustiça sem tamanho.

A dança contemporânea é uma forma de arte muito abstrata que além de exigir muita técnica e preparo físico costuma fracassar na qualidade e densidade dos sentimentos que o bailarino é capaz de imprimir à coreografia. Não são poucos os espetáculos de dança contemporânea que são lindíssimos e perfeitos tecnicamente, mas que falham em transmitir emoção.

O corpo de bailarinos da Laso me surpreendeu pela técnica, mas realmente me conquistou pela densidade dos sentimentos. 

A companhia Laso de Dança Contemporânea foi criada por Carlos Laerte em 2002 em 2004 tive chance de assistir um fragmento do espetáculo Caminhos que reestréia em setembro no Rio de Janeiro, no Centro Cultural Sérgio Porto.

Last Updated ( Sunday, 13 August 2006 )
 
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