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Estamos no inverno, mas para este boletim é primavera. Passaram-se vários meses de silêncio porque estava na hora de repensar muitas coisas e mudar a linha editorial deste site. O boletim é o primeiro a mudar deixando de ser um boletim cultural e passando a ser um boletim intransitivo direto que é uma invenção da minha imaginanção gauche. Significa que, embora a cultura seja a minha religião e resposta para todos os problemas, entendo que ela é um remédio homeopático que atua profunda e permantentemente, mas num rítmo lento. Iniciando por hoje este é um boletim que fala sobre atualidades.
O primeiro tema será a resposta que escrevi para a pergunta de um amigo. Pergunta: Roney mizifio, Tu que e' bem informado, me diz: quem e' Marcola, o q q e' o PCC, e o CV? Li uma entrevista desse tal Marcola q saiu no Globo (nao leio jornal, nunca li, ainda mais dos brasileiros aqui em Londres, ate' encontro mas e' caro e da' trabalho e sou preguicoso. Foi num desses poucos "forwards" q vale a pena ler). O tipo de coisa q so' poderia ser dita por um brasileiro. Fantastica! E o cara le Dante na prisao, nao se esqueca Naturalmente a matéria é falsa. Tudo que circula na Internet brasileira por email é falso... Aliás, acho que no mundo inteiro as pessoas fazem mal uso da Internet, são muito ingênuas. Escrevevi um comentariozinho em um dos blogs que achei enquanto procurava pela confirmação de que a entrevista é falsa (parece que é uma "crônica" do Jabor). Vou acrescentar no final, tá? Vamos lá. O PCC e o CV (comando vermelho) são grupos criminosos envolvidos com o tráfico de drogas. O primeiro de Sampa e o segundo do Rio. Nos últimos dois ou três meses o PCC vem promovendo vários ataques à sociedade depois que ameaçaram transferir alguns dos seus líderes para outro presídio. A primeira leva de hostilidades foi mais violenta por parte da polícia que saiu matando um bocado de pobre que não tinha nada a ver com o PCC, mas tinha um jeito suspeito. Uma nova leva de ataques acontece desde a semana passada, desta vez vinda do PCC que está executando vários agentes penitenciários. As razões ainda não estão claras. Minha opinião é que algum grupo político está estimulando os ataques para prejudicar algum candidato à presidência. Primeiro achei que fosse contra o Alkmin, mas este email que vc recebeu já me dá a impressão de que a ação é contra o Lula. A gente vai saber conforme forem aparecendo mais falsas notícias espalhadas por email. É horrível imaginar que nossos políticos sejam capazes disso e sou uma das poucas pessoas que tem esta suspeita desde que aconteceu algo parecido no Rio apenas nas vésperas das eleições que poderiam favorecer a Benedita (que jamais seria minha candidata). Depois tudo se "normalizou" (nossa situação não é muito normal, né?) O texto da suposta entrevista mesmo assim é interessante. Hoje no Brasil, a exemplo do que parece acontecer com os imigrantes na Europa, as classes mais ricas (ou menos pobres) sentem-se ameaçadas pelos pobres que, aos seus olhos parecem todos marginais. É claro que estou generalizando, mas este é o sentimento geral. O que vemos na entrevista é um reflexo dos medos desta minoria que, de certa forma, tem sentido. Os pobres não são marginais, é claro, mas são marginalizados com certeza e o tipo de consciência demonstrado pelo falso Marcola é um fantasma que nos assombra. Felizmente (ou infelizmente) não creio que haja este tipo de consciência entre os criminosos brasileiros. No passado eles beneficiavam as comunidades onde atuavam, hoje sinto que usam mais o poder do medo e não tem cultura política. O bom disso é que eles não partirão para um tipo de revolução armada para libertar o povo oprimido. A parte ruim é que talvez não exista grande engajamento em libertar o povo oprimido. A despeito do que as classes média e alta temem eu acredito que temos excelentes chances de resolver os nossos problemas como já fizemos na transição da ditadura para a democracia: pacificamente. Mas há grandes desafios. Um bom exemplo é a definição do sistema brasileiro de TV digital que pode favorecer a qualidade da imagem ou a criação de emissoras comunitárias e, sob a batuta das emissoras que dominam hoje o espectro televisivo, tende a ficar na primeira opção por força de decreto e não, como reza a lei, consenso democrático. Escrevi sobre isso no Multiply: http://roney.multiply.com/journal/item/673 Putz! Vc fez uma perguntinha e eu vim com este discurso! Vou parar aqui, nem vou copiar o comentário que citei no começo. Acho que já dá um bom ponto de partida para reflexões, né? :) Abraços! |