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"Não acredito que a arte por si só mude as pessoas. Mas a consciência, que é a vida da mente, é a força crítica para mudanças, e a arte ajuda a formar a consciência."
Tony Kushner , dramaturgo
 

As Crônicas de Narnia PDF Print E-mail
Written by Roney Belhassof   
Tuesday, 03 January 2006

Junto de Tolkien Clive Staples Lewis (não admira que seja conhecido apenas como C.S. Lewis) é um dos criadores do gênero de fantasia que influenciou boa parte da ficção moderna.

Por sorte ou azar até hoje não li sua obra. Isso talvez me faça um bom crítico para o filme.

 

Se ainda não assistiu o filme talvez seja melhor não seguir adiante pois pretendo falar sobre a trama o que pode tirar um pouco do prazer de assistí-lo. Sealed

Os protagonistas da aventura 

O maior desafio que todo filme de fantasia enfrenta até hoje é o estigma de obra infantil.

É claro que obras como Senhor dos Anéis, As Cronicas de Narnia, Fronteiras do Universo, V de Vendeta e tantas outras que estão chegando aos cinemas tem como um dos focos o leitor adolescente ou mesmo infantil, mas há uma grande distância entre elas e outras obras para crianças como Harry Potter ou a Turma da Mônica (se despersarmos algumas tirinhas antigas).

O universo das fábulas consegue ser a um só tempo infantil e universal. Falam na linguagem dos pequenos, usando as imagens capazes de sequestrar sua atenção, mas tocam fundo na natureza humana. Por este motivo se tornam imortais.

Infelizmente esta identificação com o imaginário infantil via de regra leva os produtores a criar versões infantilizadas destas obras. Que o diga o pobre Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha...

O filme O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupas não foge totalmente deste estigma, mas está longe de ser um filme tolo.

A não ser por uma opção estética menos sombria do que se poderia esperar pela situação vivida pelos personagens pouco há de tolo no filme.

Atenção: aqui passo a falar de cenas do filme. 

Podemos implicar com algumas peculiaridades como a ressurreição do leão Aslam ou da decisão aparentemente politicamente correta de não deixar que os protagonistas se envolvessem realmente em combates sangrentos. No entanto estes são elementos que realmente estão nos livros originais e foram respeitados na adaptação cinematográfica.

Qualquer outra comparação exige a leitura dos livros e ainda não fiz isso. Assim que tiver feito escreverei a resenha na sessão livros e voltarei ao assunto.

O que se percebe claramente ao ver o filme é que estamos diante de personagens mais reais do que de costume. São crianças afastadas da mãe na época da segunda guerra mundial na esperança de protegê-las dos bombardeios alemãs contra a Inglaterra.

Um dos quatro irmãos é claramente uma criança problema. Edmund não aceita os fatos e se mostra rebelde, mentiroso e cruel desde os primeiro minutos da história.

É claro que logo adotamos uma postura maniqueísta e o consideramos um pequeno monstrinho esperando talvez até sua morte como castigo.

No entanto, sob o véu preto e branco de autores como Lewis e Tolkien há outras matizes.

Podemos até dizer que a saga que vemos neste primeiro episódio (o filme se baseia em apenas um dos livros que compõe As Crônicas de Narnia) é justamente o ritual de passagem do jovem Edmund da adolescência para um amadurecimento precoce ditado pelo arrependimento e pela dor.

A propósito são abundantes as fontes de inspiração cristãs. Nota-se inclusive bem claramente que Lewis era protestante e Tolkien católico.

Um dos pontos chave da redenção de Edmund é o sacrifício do leão Aslam para limpar o pecado da traição do menino.

Mesmo um crítico da filosofia cristã moderna como eu tem que admitir que Lewis consegue nos colocar diante de um grande exemplo de como o pensamento cristão pode ser nobre se for seguido com grandeza de espírito.

Para o expectador moderno o perdão e transformação do garoto pode parecer repentino e difícil de engolir assim como era estranho o tipo de amizade que une os personagens de Tolkien em Senhor dos Anéis.

Apesar disso, se nos deixamos mergulhar no mundo mítico de Narnia mantendo o espírito livre de julgamento e aberto podemos nos ver diante de uma das poucas obras este ano a trazer de volta o enfraquecido espírito de natal e de fim de ano.

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Internet Movie Database 

Trailer no Omelete

Resenha de Nemo Nox para os livros 

Last Updated ( Tuesday, 03 January 2006 )
 
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