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Written by Roney Belhassof
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Saturday, 29 October 2005 |
O humano do século XXI trocou a perplexidade diante dos fenômenos inexplicáveis da natureza pela perplexidade diante dos fenômenos inexplicáveis da sua própria natureza. Elefante nos leva para dentro da escola Columbine, a mesma que foi tema de Tiros em Columbine do documentarista Michael Moore. Fique seguro(a) de que me esforço para não estragar a graça dos filmes que comento, pode continuar lendo sem medo...
A mente humana, a exemplo dos trovões e tempestades que enfrentávamos séculos atrás, hoje é um universo inexplicável e incontrolável. Não sabemos como funciona o amor, o ódio, o medo, a percepção da realidade e a fantasia. No máximo temos uma vaga idéia. Toda tentativa de explicar as razões que nos levam a cometer atrocidades solitárias como o massacre de Columbine ou coletivas como as guerras e a miséria, acaba enveredando por pensamentos ingênuos ou moralistas: o humano moderno tem dificuldades em compreender sua própria essência. Em Elefante, muito habilmente, Gus Van Sant nos leva para dentro das vidas de alguns dos jovens que viveram aquele dia fatídico em Columbine. Faz isso sem julgar, sem explicar. Como um artista ele apenas retrata deixando para o expectador a difícil, porém enriquecedora, tarefa de fazer da câmera os seus olhos e viver aquele dia com os demais estudantes. A propósito, esta é uma das razões para o nome do filme: uma parábola budista que define a verdade como um elefante estudado por cegos. Para um ela se assemelha a um tronco pois tudo que ele percebe é sua pata, para outro a verdade é um tipo de lençol pois segura a orelha do elefante. A outra inspiração para o nome do filme é uma homenagem a Alan Clarke que fez um filme com mesmo nome sobre a violência na Irlanda. É um filme para ver com o espírito fortalecido pois, mesmo não sendo visualmente pesado, é certamente um filme psicologicamente chocante. Talvez por nos apresentar a realidade sem demônios estereotipados, apenas jovens aparentemente normais. Diga-se de passagem, tirando os poucos adultos, todos eles são feitos por alunos secundaristas de Portland. Outro ponto fascinante que serve para deleite dos amantes do cinema é a curiosa montagem do fluxo de tempo e jogos com os pontos de visão. Há quem se recuse a ver filmes que não sejam alienantes pois consideram que já tem muita realidade no dia-a-dia, mas a realidade vista pelos olhos da arte é despojada de julgamentos e somente abrindo os olhos para ela seremos capazes de modificá-la.
Links externos Artigo no Omelete Filmografia (Revista Época) Filmografia (IMDB - Inglês) |
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Last Updated ( Friday, 06 January 2006 )
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