Menu Principal
Home
Editorial
Blog
Literatura
Textos
Teatro e Dança
Música
Cine & Vídeo
Imagens
Diários (RSS)
Links
Fale Comigo
Biografia
Joomla

Newsflash
Especialistas afirmam que a Medicina Ortomolecular não rejuvenece, não emagrece e pode causar riscos. Leia mais no Esclerose Múltipla .
 

Nossos Membros Coordenados PDF Print E-mail
Written by Roney Belhassof   
Tuesday, 25 October 2005
Uma sociedade sem cultura é uma sociedade com antolhos, mas nem toda cultura é arte e nem toda arte é consciente.

Macaé nos surpreende ao dar berço para uma companhia de dança que é excelente exemplo do tipo de arte consciente a que devemos recorrer nestes conturbados tempos de transformação.


Caminhos

Encruzilhadas são oportunidades de mudança. Também nos colocam diante do risco das escolhas erradas. É justo onde nossa civilização parece estar: paz, justiça, repressão, compreensão, ódio, igualdade, participação, alienação, responsabilidade, descaso. Os caminhos estão diante dos nossos olhos esperando nosso próximo passo.

A decisão fácil é pelo uso da força, seja no oriente médio, seja na defesa dos nossos lares. É fácil pois não nos obriga a entender nosso próprio tempo e nos depararmos com a necessidade de mudança da paradigmas. Infelizmente este certametne não é um passo em direção a soluções, é um mero adiamento.

O caminho difícil está na consciência, e não há consciência sem arte.

Membros Cia de Dança

Eles não são os únicos, mas no momento não penso em exemplo melhor.

Uma companhia de dança vinda de uma cidade praticamente desconhecida no panorama cultural, Macaé. Que fala na linguagem realista das ruas (Hip Hop, Breake), reúne um grupo heterogêneo de coreógrafos contemporâneos e pessoas comuns que buscam a arte como forma de expressão e desenvolvimento.

Como a membros são dezenas de iniciativas sustentadas pelos esforços pessoais, algumas vezes de ongs e raramente do estado, que tem preferido se aproximar do povo através da repressão do que pelo desenvolvimento humano, não é de admirar que, entregue apenas à paixão e aos esforços voluntários civis, o nosso país tenha índices tão baixos de desenvolvimento humano e índices tão altos de injustiça social.

Impressões

A primeira vez que assisti a Cia Membros foi num evento anual que ocorre no Rio chamado Dança em Trânsito. Era a edição de 2004, acho.

Havia conhecidos meus se apresentando e grupos internacionais, mas o grupo que mais me chamo a atenção na ocasião foi justo o Membros.

O festival Dança em Trânsito ocorre na rua. Eles se apresentaram ao lado de um restaurante aproveitando o meio-fio e uma parede de mármore escuro (já era noite). O som falhou, a luz falhou, mas o realismo e o vigor com que eles representavam a realidade das ruas comum a quase todas as nossas cidades colocou-se acima disso tudo. Havia, claro quem se chocasse, que ficasse incomodado em ser lembrado da violência e da entrega ao vício que se infiltra em nossos guetos escuros onde, quase sem excessão, nossos filhos e filhas acabam passando um dia, seja como pedestres, seja como frequentadores.

Tivéssemos dado mais espaço a iniciativas como as da Cia Membros que congrega pessoas de todas as idades para construir uma linguagem própria e brasileira para expressar o nosso tempo, muitas vezes enfrentando dificuldades financeiras, talvez mais dos nossos jovens de todas as classes tivessem percebido que há outros caminhos além da desesperança e da violiência. O absurdo número de 40 mil mortes anuais com armas de fogo em nosso país certamente seria muito inferior.

A segunda vez que assisti o Membros foi no Centro Cultural Sérgio Porto (também no Rio) e desta vez pude ver o espetáculo sem as falhas de luz e de som e, melhor ainda, tive a oportunidade de observar o debate entre o grupo e a platéia predominantemente de bailarinos contemporâneos. Muitos deles surpresos com a fusão entre Breake e Dança Contemporânea nas coreografias que, segundo Taís Vieira (coreógrafo do grupo) é desenvolvida em conjunto.

Conclusão

Hoje, um dia depois da população dizer que está desesperançada a ponto de aceitar o peso de garantir a própria segurança mantendo máquinas de matar em casa, soube que o CIEMh-2 (Centro de Estudo do Movimento Hip Hop), que sedia a Cia Membros, pode ficar sem sede depois de seis anos conduzindo seus trabalhos pois o proprietário do espaço obteve uma oferta de aluguel que eles não podem cobrir.

A esperança de um futuro melhor para o nosso país não reside no poder de destruição das armas, mas no poder de reconstrução da arte. Espero que tanto a sociedade civil quanto o governo compreendam que os 200 jovens atendidos pelo CIEMh-2 e outros milhares auxiliados por outras instituições podem não ser eleitoreiros, podem não ser nossos filhos, mas não há futuro para nenhum de nós se deixamos a verdadeira arte crítica e desenvolvedora de potencialidades afundar entre os sonhos belicosos de políticos de visão estreita.

Links
Site oficial do Centro Integrado de Estudos do Movimento Hip Hop
Last Updated ( Tuesday, 24 January 2006 )
 
< Prev   Next >
Mais recentes
Artigos associados
   Home arrow Teatro e Dança arrow Nossos Membros Coordenados