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"Não acredito que a arte por si só mude as pessoas. Mas a consciência, que é a vida da mente, é a força crítica para mudanças, e a arte ajuda a formar a consciência."
Tony Kushner , dramaturgo
 

Preconceito contra a Globo PDF Print E-mail
Written by Roney Belhassof   
Tuesday, 28 September 2004

Resumo

  • Cine e Vídeo: Kill Bill e In the mood for love
  • Música: Megaphone
  • Teatro e Dança: Noites Brancas
  • Literatura: Armazém Digital
  • Tecnopapo: Por uma internet segura

Oi!

Cheguei a escrever um bocado sobre a tolice dos preconceitos e de como eu mesmo vivo quebrando a cara com o meu que me faz olhar desconfiado para atores de TV... Humpf! Tolo sou eu em me embolar com preconceitos! Bem, escrevi um bocado sobre como percebi ao ver a Débora Falabella fazendo Noites Brancas que o valor da pessoa não pode ser medido pelo seu trabalho e sim pelo seu envolvimento com a vida e seus projetos.

Acontece que percebi que logo me perderia em extensas desculpas pelo meu próprio preconceito e decidi apagar tudo! Auto-comiseração é um saco! Não acha?

Depois de apagar voltei ao assunto como se pode notar! Mas por uma boa razão! Me parece que muita gente passa por um tipo de desilusão parecida com a minha: tem vontade de fazer algo nobre em sua profissão e acaba esbarrando em barreiras que fazem seus sonhos secarem...

É uma certa mania de "ou tudo ou nada" que tem bem a cara do final do século XX. No entanto sonhos são utopias, obras frágeis que algumas vezes precisam ser cultivadas por décadas até que possam ser realizadas! No caminho muita gente vai "desistindo".

Tem gente que vai atrás de recursos para realizar seus sonhos e se acomodam depois de conquistar os tais recursos. Outros se recusam a se render ao mundo real e jamais conseguem alcançar os meios para concretizar seu destino ou talento... Uns outros tantos tem aquela sabedoria tranqüila para fazer uma coisinha chata aqui ou ali enquanto guardam seus projetos cuidadosamente só esperando o momento certo chegar...

Epa!! Mas este email era para ser um olá! Um tipo de blog para contar aos amigos o que tenho feito! Hehehe! Acontece que não tenho feito nada que seja interessante contar! Ando mergulhado em computação e outros projetos e trabalhos! Acho que falar disso é pior do que as minhas filosofias, né? Vou te poupar disso!

Também! Acho que a única pessoa que encontrei na última semana foi a Carol que estava correndo para ver um filme do Festival do Rio, acho. Ainda conversamos bem uns 10 minutinhos, mas nós dois tínhamos pressa e acabamos indo cada um para um lado... Estes encontros me dão sempre vontade de organizar aquela grande festa para todos os amigos! Só que antes tenho que comprar uma ilha... Antes tenho que ter dinheiro para comprar a ilha!

Cine e Vídeo

Na hora de definir o que é arte é uma briga só entre os filósofos! Prefiro não perder tempo e admirar aquelas obras que me causam impacto! Tem coisa que não diz nada, mas te causa impacto! Deixa uma impressão que fica ecoando e, se não te faz pensar, te faz sentir! Recentemente assisti dois, digo, triês filmes assim.

Kill Bill vol. 1 e 2

Pode não ser um filme para todos os gostos, pode ser mais interessante para quem é um pouco retrô ou gosta da linguagem das histórias em quadrinhos, mas não se pode negar que o Tarantino faz cinema como poucos!! É até difícil descrever os filmes dele!

Não é que ele tenha algo a dizer, nem se trata de uma história surpreendente, o segredo está na forma como ele conta sua história. É como se ele quisesse nos mostrar que para um filme ser bom ele só precisa ser bem feito.

No primeiro Kill Bill tivemos um grande seqüência de ação, de dar inveja a qualquer Matrix ou Guerra nas Estrelas. Os poucos diálogos são bem escritos, tensos e ricos como poucos além do Tarantino são capazes de escrever!

No segundo o ritmo é muito mais lento, tem apenas uma grande cena de ação, o resto é um festival de saber fazer cinema, de saber quando usar a cor, quando apagar e quando acender a luz.

A propósito talvez isto seja o que mais surpreende nos dois Kill Bill: a riqueza da linguagem cinematográfica que o Quentin Tarantino é capaz de controlar!

Em resumo Kill Bill vol. 1 e 2 são dois filmes diferentes, um de ação mais estilo Kunf Fu dos anos 70 e o segundo mais para Western anos 80, mas os dois podem ser saboreados da mesma forma.

In the mood for love - Amor à flor da pele

O título em nossa língua não faz juz ao filme.
O clima é denso, lento e bem depressivo, mas trata-se de um excelente filme!

Estamos na china, na década de 60 quando mudanças de governo e ondas migratórias levam diversas famílias a dividir o mesmo teto em Hong Kong e outras cidades. É a última década das relações recatadas entre homens e mulheres, mas assim mesmo surge uma paixão tensa e só consumada em segredo entre um homem e uma mulher casados que moram em apartamentos vizinhos.

É para quem gosta de filme lento e delicadamente "pintado" pelo diretor. É uma daquelas singelas obras de arte cuidadosamente cinzeladas que nos emocionam, mas não pretendem nos divertir.

Há muito que comentar sobre o filme... Apesar de feito sem roteiro ao longo de mais de um ano não tem pontas soltas, pelo contrário, a falta de roteiro lhe deu uma forma fragmentada que acaba se encaixando perfeitamente no filme.

Vale a pena ficar de olho no diretor e roteirista: WONG KAR- WAI.

Música

Entre a descoberta do novo e o degustar do presente não podemos nos esquecer das memórias do passado! Nos últimos tempos tenho adorado escutar as Chicas (que tocam mpb - Isadora Medella, Amora Pêra, Paula Leal e Fernanda Gonzaga - já falei um bocado delas), o algo novo não é muito fácil, tem faltado tempo! Mas tenho uma dica que ainda vou conferir! Já as memórias... Ainda bem que há pessoas com gavetas cheias de tesouros prontos para ser digitalizados!

Uma viagem pelo tempo nas fotos do Paulo Barbosa:

Estava navegando pelos amigos do Multiply e esbarrei no álbum de fotos do Paulo! São fotos de shows com quinze anos ou mais de idade! Dá para escutar os ecos daqueles tempos ao ver o Lulu Santos novinho, Sarah Vaughan, Marina, Arnaldo Antunes e até o Duran Duran!! Vale a pena a visita! (não precisa ser cadastrado no Multiply para ver).

Megafone

Ao que costa eles são críticos como o Rappa, no entanto com menos pauleira. Não posso falar mais pois ainda não assisti. Eles se apresentam no dia 1/10 no Circo Voador e no dia 5/10 no teatro do Jockey. A propósito no dia 5 vão tocar com outra banda, o Mundo Zé, que faz um som descompromissado e muito divertido.

Não sei hora, preço nem nada mais! Vou tentar me informar, mande um email se ficar a fim de ir também.

Teatro e Dança

Noites Brancas de Dostoievski é sem dúvida uma obra prima da literatura! A última peça que assisti inspirada neste conto foi uns vinte anos atrás, era um monólogo bem pesado com um ator que já não consigo lembrar.

Por todos estes anos foi a imagem desta montagem que me vinha à cabeça quando se falava em Noites Brancas de Dostoievski, agora, confesso, será a versão em cartaz na sala Baden Powell que habitará minhas memórias!

Posso até discordar da adaptação, mas a atuação dos atores é primorosa! Até me causaram uma certa estranheza no início, talvez por causa da espectativa gerada lá pelo velho monólogo que assombrava as lembranças. Ah! Mas rapidamente nos afeiçoamos aos personagens encarnados pelo carisma e talento de Luis Arthur e Débora Falabella.

Há uma certa qualidade de movimentos e expressão que faz do teatro um espaço mágico e singular. Da forma de falar até detalhes na forma de se mover o teatro é um exercício de representação muito exigente, e é ao vivo, sem espaço para erros. O que tento dizer é que poucas vezes assisti atores tão competentes quanto a dupla que multiplica (sim, pois dizer que dividem seria injusto) o palco nesta peça!

  • O que? Noites Brancas - Fiódor Dostoievski
  • Quando? quinta a sábado 21h e domingo 20h até 31/10
  • Onde? Sala Baden Powell - Copacabana
  • Quanto? R$15,00

Dica: sente no segundo andar do teatro (valeu Thico)!

Você pode achar outras dicas e deixar as suas no Circuito Cultural Rio.

Literatura

Depois de ver a peça Noites Brancas de Dostoievski decidi reler o conto e notei que o texto foi bem transformado. É verdade que a peça duraria umas duas horas se não fosse assim, e seria um bocado mais densa e até um tanto pesada, mas ainda prefiro o texto original! Por isso vale a pena conferir!

Achei uma tradução livre de direitos autorais e converti para html para ser lida mais facilmente no seu pda, on-line ou mesmo impressa.

Há uma certa quantidade de falhas de revisão, mas ainda acho que dá para conhecer a obra de Dostoievski por ela!

Noites Brancas em html.

Aqui está a fonte de onde veio a tradução: O Dialético.

Tecnopapo - Internet Segura

O Irapuan Martinez (um dos mais brilhantes Webdesigners brasileiros) escreveu um artigo para leigos sobre Segurança na Internet que vale a pena ser lido.

Lá no meio do texto há um ponto que eu gostaria de reforçar...

Existe um motivo para a Microsoft fazer o seu navegador (o Internet Explorer) incompatível aos padrões que todos os demais usam (no texto o Irapuã dá como exemplo um aparelho elétrico com uma tomada que só encaixa na parede se você usar uma outra tomada do mesmo fabricante).
A Internet vem se tornando um tipo de sistema operacional, um tipo de concorrente do Windows e a MS tenta combater este concorrente com suas melhores armas.

Se esta guerra fosse com novos recursos ou melhorias que beneficiassem o usuário (você, eu...)! Só que não é! O que a Microsoft tenta fazer é retardar o crescimento da Internet se aproveitando do percentual do mercado de computação que ela conseguiu acumular.

Talvez estejamos acostumados a assistir passivamente os nossos rumos serem definidos pelos governos ou grandes empresas, mas isso não precisa ser assim afinal ser proativo neste caso é usar um navegador melhor, um programa de email melhor e outros aplicativos melhores!
Vá dar uma espiada no Firefox e no Thunderbird.

Fim

"Cabô"

 
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