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Isso quer dizer que você pode usar e adaptar o que acha aqui desde que sempre me dê o crédito de criação e NÃO use comercialmente.

Você achava que a era das lutas sociais tinha terminado?

5th, January 2009

Rosa Parks sentou em um banco para brancos no ônibus…

Alice Paul abriu cartazes diante da Casa Branca até ser arrastada para a prisão…

Pequenos nomes muitas vezes esquecidos, mas que abriram caminho para Martin Luther King e para as conquistas que hoje nos fazem olhar para trás orgulhosos do que conquistamos, ou melhor, do que eles conquistaram para nós!

Quando vemos filmes como Anjos Rebeldes (Iron Jawed Angels) é impossível não se revoltar com os reacionários ou com os que são coniventes com uma ordem injusta por mero comodismo ou medo.

Acontece que não é fácil ver que algo é injusto quando estamos mergulhados nos preconceitos da nossa época.

Se você acha que está tudo bem hoje, que não há necessidade de Alices Paul e Rosas Parks então, lamento dizer, você provavelmente estaria entre os que desprezaram as lutas pelos direitos das mulheres, dos negros, das crianças (que eram força de trabalho escravo no início da revolução industrial).

Nós ainda temos muitos direitos a conquistar…

A Internet é o mais importante instrumento da democracia criado até hoje, mas você não pode usá-la livremente.

Se você se candidatar a um cargo político não pode se promover livremente pela Internet a pretexto de manter iguais oportunidades entre os candidatos. A Internet é tratada como se fosse televisão, rádio ou revista quando não é nada disso!

A Internet é a sua praça pública! O lugar onde você pode levantar sua voz para dizer “EU voto nesse político”. Nela o político honesto e com boas idéias pode expô-las sem ter que competir com o outro que nada tem além de capital para alagar as ruas com milhões de panfletos!

Hoje, se você quiser dizer que foi mal atendido por uma empresa, um hospeital ou um médico avisando outras pessoas você não pode!

Você não pode nem dizer que não gosta de um determinado autor de literatura…

Hoje mesmo uma amiga me apresentou a um blog onde o autor troca os nomes de quem ele critica para poder falar sem ser processado! É como se ele fosse um criminoso que anda de capuz pela rua, que se esconde atrás de cartas feitas com colagens de letras de revistas!

Me recuso!

Nós temos o direito civil de opinar! É criminoso nos proibir de criticar um mal serviço! Se não gosto da literatura de Paulo Coelho tenho direito de dizer isso para ele! Assim como ele tem o direito de me dizer que lamenta a minha opinião, mas que ele escreve para quem gosta dele (ou coisa parecida), mas duvido que ele me processasse por não gostar do que ele escreve.

Hoje me disseram que não vale a pena correr o risco de ser processado para defender os direitos dos outros… Quem são os outros? Não entendo o conceito!

Por algum acaso eu vivo em um mundo diferente do seu? O que te acontece não me acontece? O médico que você não pode criticar pois é defendido pelo manto de invisibilidade da lei da injúria e difamação não me matará amanhã?

Quando uma pessoa não tem voz não é verdade que eu estou proibido de ouví-la?

Quero poder dizer todas as palavras e ouvir todas as culturas! Quero poder saborear cada cor e cada sabor do fantástico mosaico da humanidade!

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Sopro do leste

1st, January 2009

Onze horas da manhã do primeiro dia de 2009.

Deuses sopraram seu bafo do leste durante a noite, Ipanema, Copacabana cobertas com as brumas quentes do verão, o Leblon se disfarça de Avalon e desaparece.

Pessoas, no calçadão, nas ruas litorâneas, nas areias, milhares delas já despertaram dos festejos e se alimentam do primeiro dia do novo ano.

Aqui ou ali olhos marejados dos que ainda não viram o hotel e emendaram a festa com a praia, são espectros que carregam uma certa tristeza de embarcação sem porto, de coração sem dono…

O mundo real offline tem mais cores do que o real online, entretanto ainda mais cores tem o mundo virtual dos que se enganam sob a luz dos fogos ou o brilho do monitor. Tem mais cores, não mais calor! Online ou offline não  há calor mais constante do que a amizade sincera, do olhar que se desvencilha da fantasia mesmo sabendo que em tudo há uma dose inevitável de virtual.

Reveillon é um ciclo virtual, um fim inventado… Sim, um fim… Devia ser um começo… Homenagem ao que houve de bom no ano que passou (e continuará no que chega) e boas vindas ao que haverá de bom. Em geral explodimos em luzes para exorcisar o mal passado… Felizmente hoje tive muito a comemorar!

Pois o ciclo pode ser virtual, mas o brilho de felicidade leve na maioria dos olhos que passam por mim deixa claro que hoje começa algo muito bom!

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Às vésperas dos fogos

30th, December 2008

Uma balbúrdia circula pelo bar no centro histórico onde nos séculos passados caminhavam poetas boêmios que morriam de tuberculose precocemente, mas achavam tempo para povoar as linhas da literatura com vozes veludosas, veldas vozes de um passado mais distante para a memória do que para os anos.

Na mesa branca se espalham copos, cestinha com pães, bandejinha com aperitivos acebolados e meia dúzia de máquinas digitais.

Cinco amigos ao redor da mesa desfiam memórias, histórias, opiniões, tiram fotos… Risadas pontuam as frases e dão o ponto final continuativo das histórias que parecem sempre terminar com reticências.

As mesas ao redor são imagens desfocadas. Turistas que se alojam nos albergues e hotéis mais baratos ou que pesquisaram e foram capazes de encontrar aquela região de tesouros escondidos da velha cidade turística. Outros ali saíram dos seus trabalhos e buscaram o famoso chopp gelado. Uns poucos caíram ali por mero acaso.

Do lado de fora as ruas já escuras e vazias do movimento febril do último dia útil de 2008.

A julgar pela chuva de papéis de trabalho catarsicamente picotados e defenestrados muita gente considera os dias não úteis mais úteis, ou pelo menos mais agradáveis, que os dias ditos úteis.

Na praça, assistidos pelos olhos silenciosos das janelas do altivo mosteiro que permanece invisível até que de lá escapem as notas graves do canto sacro, homens de laranja operam vassouras e máquinas de varrer para remover pilhas de papel picado.

Não há pessoas na cidade. Estão todas mais além…

As escadas rolantes do metrõ desembocam como rios em vários pontos da Princesinha do Mar já alagando suas ruas, calçadas e areias com os primeiros milhares que logo serão mais de um milhão de pequenas pessoas que se espremem para ver o fim de um ano ritualisticamente queimado pelos fogos que explodem em cores e formas no céu escuro da última noite do ano.

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Ciclos artificiais: Festas de fim de ano…

26th, December 2008

Nós humanos somos feitos de idéias que viajam em corpos de carbono e genes.

Escutamos as palavras, deciframos a dança dos movimentos e o significados ocultos dos costumes.

De toda forma tentamos ser um só, uma unidade.

Ao ver um rosto pela primeira vez, ao escutar um “Oi! Muito prazer!” de um novo amigo normalmente partilhamos o que há de mais essencial em nós: fraternidade… Salvo, claro, quando vem algum preconceito antes por causa dos códigos dos gestos ou costumes que não entendemos como uma burca, o jeito de andar, uma minissaia, uma tatuagem…

Estivemos até hoje afastados uns dos outros. Inventamos palavras, roupas, crenças e uma infinidade de outros memes que nos ajudam a conviver com as cidades, florestas, ilhas ou oasis onde vivemos.

Então nossa essência foi mais forte! Fomos separados quando Pangéia se dividiu, mas aprendemos a cavalgar, inventamos carroças, carros, aviões e foguetes, fomos até a Lua para ver como estávamos próximos uns dos outros!

Infelizmente dezenas de milhares de anos tinham passado e tornou-se tão difícil ver alguém igual por baixo de todos aqueles costumes diferentes que chegaram a fazer julgamentos para decidir se índios ou negros eram mesmo humanos!

Ah! Mas o poder na nossa essência… o grito da nossa consciência é ainda mais poderoso que nosso medo e nossa ignorância. Então criamos novos veículos!

Agora não viajamos mais pela Terra, viajamos pelas idéias! Criamos carruagens, automóveis e foguetes que transportam nossos pensamentos! Nossos memes e toda cultura, costumes e crenças que eles articulam!

Rádio, cinema, jonais e televisão são esses novos veículos que nos trouxeram até aqui, mas não eram nossa voz pois só podiam transportar uns poucos de cada vez transformando a maioria de nós em espectadores passivos. Então criamos um novo mundo real onde absolutamente todos podem falar e ser ouvidos!

A Internet é o pequeno mastro de uma nave que vemos no horizonte e vai crescendo conforme nos aproximamos. A cada dia vemos um pouco mais do que está por vir: hiperdemocracia, uma nova mídia, outras estruturas de governo onde cada um tem sua voz, uma era onde o conhecimento, a criatividade e a consciência são o maior patrimônio…

Em 2008 finalmente entendemos que a Internet é uma rede de pessoas. Sites são pessoas que compartilham suas vozes!

Aqui e ali pipocam “desconferências” que descobrem e ajudam a descobrir um novo mundo onde finalmente veremos de perto que nossas diferenças são tesouros da nossa criatividade e não coisas a serem toleradas!

Em 2008 eventos como ted.com, Descolagem, Sou + Web, Blogcamps, Manhãs Digitais e tantos outros finalmente começaram a convergir trazendo antídotos para a o medo das diferenças e alimento para o êxtase diante da nossa diversidade!

Agora estamos nos momentos finais do ciclo artificial de 2008 quando normalmente as pessoas fogem da realidade para beber, comer e festejar… Pois meus votos são que em 2009, assim como em 2008, cada vez mais aprendamos a apreciar diariamente os ciclos naturais dos solstícios, equinócios e, principalmente, das transformações da nossa consciência!

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Os óculos do Papai Noel

22nd, December 2008

O papai noel entra na sala pelo quinto ano consecutivo. A grande barriga fofa, o vermelho vivo de cetim, as botinas de couro marrom muito escuro, a vasta barba macia como o algodão, um saco de lona crua nas costas repleto de presentes para as crianças que se espalham pela sala e, claro, um belo gorro tão cintilante quanto a roupa e cuidadosamente ornado por uma faixa branca que parece neve e o inconfundível pompom branco na ponta.

Os presentes começam a sair do saco. Uma metralhadora de brinquedo (eram os anos da ditadura e os ventos do fascismo disseminavam seus encantos), bonequinhos, carrinhos, mas as fotos só preservaram a metralhadora ainda embalada em seu plástico transparente.

Já adulto aquele menino sem camisa lembraria apenas das fotos e das histórias e seria capaz de jurar, agora pacifista, que não gostou, entretanto ainda brincava com armas de espoleta uns dois anos depois.

“Oh! Oh! Oh! Sente aqui com o Papai Noel menino!”

E lá foi ele animado sentindo-se a criança mais especial do mundo já que o Papai Noel não aparece para nenhum dos seus amigos.

Senta-se no colo do bom velhinho, olha-o nos olhos…

“Hei! Esse é o óculos do meu pai!”

Antes que qualquer um possa inventar uma desculpa ele puxa a barba revelando o rosto do pai e um sorriso de descoberta onde faltam alguns dentes de leite que já se foram.

Quem dirá o que passou realmente na cabeça daquela criança? Se eu tiver que adivinhar diria que ele percebeu imediatamente em um desses raros momentos de quebra de paradigma que o Papai Noel não existia e que o pai dele era maravilhoso por se vestir todo ano com as pesadas e quentes roupas minuciosamente feitas somente para agradá-lo levando-o a um mundo mágico que os pais não eram mais capazes de alcançar.

Pode ser… Mas o mais provável é que ele tenha pensado “O meu pai é o Papai Noel!!!”

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